segunda-feira, 13 de outubro de 2025
Câncer de mama gera mais de R$ 100 milhões em custos hospitalares em três anos
Levantamento realizado pela Planisa revela aumento expressivo nas internações entre 2022 e 2023, seguido de queda em 2024, e destaca impacto das diárias hospitalares no orçamento da saúde.O câncer de mama segue como um dos grandes desafios de saúde pública no Brasil, não apenas pelo impacto clínico, mas também pelo elevado custo associado ao atendimento hospitalar: nos últimos três anos, atingiram R$ 108,8 milhões, segundo levantamento da Planisa - consultoria especializada em gestão de saúde e custos hospitalares. O estudo baseou-se na análise de mais de 5 milhões de altas hospitalares registradas no período.
O custo com internações por câncer de mama no ano de 2022 totalizou R$ 31,7 milhões. Este valor correspondeu a 14.034 hospitalizações registradas entre 1.432.343 pacientes avaliados. Em 2023, as internações subiram para 19.176 e o custo total alcançou R$ 42,8 milhões. No ano passado, com dados parciais, até setembro e projeção do período, o estudo aponta 16.674 internações e um custo total estimado em R$ 34,2 milhões.
Parte importante da composição desses valores está ligada ao consumo de diárias hospitalares e ao tempo médio de permanência. Em 2022, foram registradas 32.570 diárias dedicadas a pacientes com câncer de mama, com permanência média de 2,32 dias; em 2023 foram 43.994 diárias (permanência média 2,29 dias) e, até setembro de 2024, o período observado soma 35.190 diárias (permanência média 2,11 dias). O levantamento utiliza como referência o custo de R$ 974 por diária, definido com base na mediana das diárias hospitalares do ano passado.
Quando se considera o custo médio por evento de internação, a relação entre custo total e o número de internações revela variações ano a ano: em média, o custo por internação foi de aproximadamente R$ 2.260 em 2022; R$ 2.235 em 2023 e R$ 2.056 na estimativa de 2024.
Do ponto de vista da gestão, os números evidenciam dois pontos essenciais: a relevância do controle e da eficiência na ocupação de leitos, já que a diária é o principal insumo monetizado nessa conta; e a importância de estratégias de prevenção e detecção precoce, que reduzem internações e diárias e, consequentemente, o impacto orçamentário sobre o sistema de saúde.
O diretor de Serviços da Planisa e especialista em custos hospitalares, Marcelo Carnielo, observa que os números mostram que grande parte do impacto econômico do câncer de mama no ambiente hospitalar está concentrado nas diárias e na logística de atendimento. "Uma redução, mesmo que pequena, na permanência média ou uma reorganização dos processos assistenciais, pode gerar economia significativa sem reduzir a qualidade do cuidado. Investir em triagem eficaz, rotinas de alta segurança e protocolos padronizados é estratégico para reduzir custos e melhorar desfechos", fala.
Carnielo ressalta que o levantamento traz evidências claras de que o esforço para controlar custos passa por intervenções clínicas e administrativas integradas, desde diagnóstico precoce e tratamento ambulatorial quando possível, até otimização da internação hospitalar.
O maior desafio financeiro no tratamento do câncer de mama reside nos medicamentos de alto custo e nos custos indiretos (como a perda de produtividade). É crucial notar que esses componentes de maior peso não estão normalmente incluídos nas despesas de internação, conclui.
Sobre a Planisa
Com 37 anos de atuação, a Planisa é líder em soluções para gestão de custos na saúde na América Latina e detém a maior base de dados de custos de hospitais do Brasil. A empresa oferece soluções tecnológicas e serviços de consultoria especializados no setor de saúde, conectando dados assistenciais e econômicos com inteligência para otimizar a gestão dos cuidados de saúde. Atuando no Brasil e em outros países da América do Sul e África, a Planisa gerenciou R$ 41,3 bilhões em custos hospitalares nos últimos 12 meses, com uma carteira de 385 clientes.