segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Padre nega Eucaristia a apoiadores de Nikolas Ferreira durante missa em Pingo d’Água; igreja e deputado respondem

 Durante missa realizada na manhã de domingo (8), na Capela São Sebastião, em Pingo d’Água, no leste de Minas Gerais,  o padre Flávio Ferreira Alves afirmou que fiéis que apoiam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) não deveriam receber a Eucaristia e pediu que se retirassem da igreja. A fala ocorreu durante a celebração religiosa e foi registrada por participantes.

De acordo com o relato atribuído ao sacerdote, ele declarou: “Se você concorda com o Nicolas e não quer que dê botijão de gás para o pobre, por favor, saia da igreja agora. Você não merece receber a Eucaristia. Amém? Você está comungando sobre sua própria condenação”.

Ainda durante a celebração, segundo vídeos divulgados nas redes sociais, o padre teria solicitado que apoiadores do parlamentar se levantassem e deixassem o local. Duas mulheres de Ipatinga, que participavam da missa na cidade vizinha, publicaram gravações e relataram indignação com a situação. Em um dos vídeos, uma delas afirma que o sacerdote teria utilizado expressões ofensivas e impedido a comunhão de um homem que estava com o filho no colo.

Em nota publicada no Instagram ainda no domingo (8), a Diocese de Caratinga se manifestou sobre o episódio. No comunicado, assinado pelo bispo diocesano Dom Juarez Delorto Secco, a instituição classificou o caso como “fato isolado” ocorrido durante celebração da Eucaristia envolvendo o padre Flávio Ferreira Alves.

A diocese reafirmou “compromisso inabalável com o livre exercício da democracia e com o respeito à pluralidade de opiniões” e destacou que o ambiente litúrgico deve ser espaço de acolhida, paz e oração, independentemente de convicções políticas individuais. O texto informa ainda que o sacerdote reconheceu que sua fala, “proferida em momento de forte emoção, não condiz com as orientações pastorais da Igreja”, expressou arrependimento e pediu perdão à comunidade e aos fiéis que se sentiram ofendidos.

A nota ressalta que a Eucaristia é “o sacramento da unidade” e não deve ser utilizada como instrumento de divisão ou segregação. A Diocese de Caratinga afirmou que adotará as providências necessárias para que situações semelhantes não voltem a ocorrer, com o objetivo de preservar a sacralidade da missa.

Também nas redes sociais, o deputado federal Nikolas Ferreira comentou o caso. Ele classificou o vídeo como “um dos mais bizarros” que já viu e afirmou que o sacerdote teria condicionado o recebimento da Eucaristia ao apoio político. O parlamentar declarou que a atitude ultrapassou críticas políticas feitas em ambiente religioso e afirmou que é “um simples deputado federal”.

Nikolas Ferreira relacionou o episódio a seu posicionamento contrário a projetos que, segundo ele, teriam caráter assistencialista, citando o debate sobre fornecimento de botijão de gás. O deputado também mencionou temas como aborto, escândalos envolvendo o INSS e outras questões políticas, questionando a ausência de críticas semelhantes a esses assuntos no ambiente religioso. Ao final, afirmou considerar a situação como parte de uma “guerra espiritual”.

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