terça-feira, 19 de maio de 2026

Professores decidem pela manutenção da greve da educação municipal de BH

Os professores da rede pública de educação de Belo Horizonte decidiram, por unanimidade, pela manutenção da greve. O movimento perdura por 22 dias consecutivos de paralisação e, até o momento, não há previsão para retomada das atividades. A decisão foi tomada durante assembleia realizada nesta terça-feira (19/5), na Praça Afonso Arinos, no Centro da capital.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal (Sind-Rede/BH), a decisão foi tomada após avaliações conduzidas tanto pelo comando da greve quanto pela base da categoria. Durante o encontro, os informes detalhados das últimas rodadas de negociações com a administração municipal foram apresentados.

 “Não aceitaremos manobras. A PBH e a SMED não tem avançado nas tratativas com a categoria e na assembleia foi avaliado que, sim, a greve precisa continuar”, afirmou a Diretoria Colegiada do Sind-Rede/BH.

Além de votar pela continuidade da paralisação, os servidores aprovaram os próximos passos do calendário oficial do movimento. O próximo encontro foi agendado para a sexta-feira (22/5), às 14h, na Praça da Estação.

A reportagem procurou a Prefeitura de BH para se posicionar sobre a manutenção da paralisação. No entanto, até a publicação desta matéria, não houve resposta. O espaço segue aberto.

Desacordos

Na última quarta-feira (13/5), o Sind-Rede/BH contestou o posicionamento divulgado pela PBH sobre o atendimento de seis das oito pautas prioritárias apresentadas pela categoria durante as negociações da greve. Em nota, a entidade afirmou que a reivindicação completa possui mais de 70 pontos e acusou o Executivo de tentar “desmoralizar” a paralisação. A manifestação aconteceu um dia após a PBH anunciar avanços nas negociações e afirmar que pretende formalizar um acordo condicionado à retomada das aulas na rede municipal.

No entanto, segundo a entidade, o município ainda não apresentou respostas para temas considerados centrais pela categoria, como recomposição salarial, terceirização do Atendimento Educacional Especializado, transparência nas vagas da rede e condições de trabalho na Educação Infantil. "Trata-se de uma inverdade construída para tentar desmoralizar a greve. Nossa pauta de reivindicação tem mais de 70 itens, foi entregue em março e até agora nenhuma resposta a respeito", apontou.


Em posicionamento divulgado no mesmo dia, o Executivo afirmou que, em relação ao reajustesalarial de 2026, o índice será apresentado na segunda quinzena deste mês, "conforme já acordado com todas as categorias". Nesta quinta, o Sind-Rede/BH rebateu a questão. “A prefeitura insiste que só apresentará resposta aos itens que ela rotula como ‘econômicos’ no dia 25 de maio. O sindicato se opôs a essa lógica desde fevereiro. É uma ação para arrastar a paralisação. A data base é maio; logo, o mês de negociação é abril”, pontuou.

Na quinta-feira (14/5), O TEMPO questionou a Prefeitura de Belo Horizonte sobre os contrapontos apresentados pelo Sind-Rede/BH. Em nota, o município reiterou que as oito pautas prioritárias da Educação foram apresentadas pelo próprio sindicato ao prefeito Álvaro Damião (União) durante reunião na última segunda-feira (11/5). Além disso, o Executivo municipal destacou uma série de medidas adotadas desde o ano passado, como os reajustes de 2,49% em maio de 2025 e 2,40% em janeiro de 2026 e a nomeação de 1.886 profissionais entre os dois anos. Leia a nota da PBH na íntegra ao fim da matéria.  (fonte: jornal o tempo)