Os professores da rede pública de educação de Belo Horizonte
decidiram, por unanimidade, pela manutenção da greve. O movimento perdura por
22 dias consecutivos de paralisação e, até o momento, não há previsão para
retomada das atividades. A decisão foi tomada durante assembleia realizada
nesta terça-feira (19/5), na Praça Afonso Arinos, no Centro da capital.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da
Rede Pública Municipal (Sind-Rede/BH), a decisão foi tomada após avaliações
conduzidas tanto pelo comando da greve quanto pela base da categoria. Durante o
encontro, os informes detalhados das últimas rodadas de negociações com a
administração municipal foram apresentados.
“Não aceitaremos
manobras. A PBH e a SMED não tem avançado nas tratativas com a categoria e na
assembleia foi avaliado que, sim, a greve precisa continuar”, afirmou a
Diretoria Colegiada do Sind-Rede/BH.
Além de votar pela continuidade da paralisação, os servidores
aprovaram os próximos passos do calendário oficial do movimento. O próximo
encontro foi agendado para a sexta-feira (22/5), às 14h, na Praça da Estação.
A reportagem procurou a Prefeitura de BH para se posicionar
sobre a manutenção da paralisação. No entanto, até a publicação desta matéria,
não houve resposta. O espaço segue aberto.
Desacordos
Na última quarta-feira (13/5), o Sind-Rede/BH contestou o
posicionamento divulgado pela PBH sobre o atendimento de seis das oito pautas
prioritárias apresentadas pela categoria durante as negociações da greve. Em
nota, a entidade afirmou que a reivindicação completa possui mais de 70 pontos
e acusou o Executivo de tentar “desmoralizar” a paralisação. A manifestação
aconteceu um dia após a PBH anunciar avanços nas negociações e afirmar que
pretende formalizar um acordo condicionado à retomada das aulas na rede
municipal.
No entanto, segundo a entidade, o município ainda não
apresentou respostas para temas considerados centrais pela categoria, como
recomposição salarial, terceirização do Atendimento Educacional Especializado,
transparência nas vagas da rede e condições de trabalho na Educação Infantil.
"Trata-se de uma inverdade construída para tentar desmoralizar a greve.
Nossa pauta de reivindicação tem mais de 70 itens, foi entregue em março e até
agora nenhuma resposta a respeito", apontou.
Em posicionamento divulgado no mesmo dia, o Executivo afirmou que, em relação ao reajustesalarial de 2026, o índice será apresentado na segunda quinzena deste mês, "conforme já acordado com todas as categorias". Nesta quinta, o Sind-Rede/BH rebateu a questão. “A prefeitura insiste que só apresentará resposta aos itens que ela rotula como ‘econômicos’ no dia 25 de maio. O sindicato se opôs a essa lógica desde fevereiro. É uma ação para arrastar a paralisação. A data base é maio; logo, o mês de negociação é abril”, pontuou.
Na quinta-feira (14/5), O TEMPO questionou a Prefeitura de
Belo Horizonte sobre os contrapontos apresentados pelo Sind-Rede/BH. Em nota, o
município reiterou que as oito pautas prioritárias da Educação foram
apresentadas pelo próprio sindicato ao prefeito Álvaro Damião (União) durante
reunião na última segunda-feira (11/5). Além disso, o Executivo municipal
destacou uma série de medidas adotadas desde o ano passado, como os reajustes
de 2,49% em maio de 2025 e 2,40% em janeiro de 2026 e a nomeação de 1.886
profissionais entre os dois anos. Leia a nota da PBH na íntegra ao fim da
matéria. (fonte: jornal o tempo)

