quinta-feira, 14 de maio de 2026

Prefeito de Governador Valadares (MG) Coronel Sandro (PL) foi cassado pela Câmara. Vice já assumiu.

Mourão, vice prefeito,assumiu nesta sexta feira

Sessão na Câmara de Governador Valadares terminou com 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários. Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão (PL) assume o comando da prefeitura.

O prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro (PL), teve o mandato cassado pela Câmara Municipal após cerca de 12 horas de sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (14). A votação terminou com 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários.

Os vereadores analisaram três infrações político-administrativas relacionadas ao transporte escolar do município. Como o processo atingiu mais de 14 votos favoráveis, número equivalente a dois terços da Câmara, a perda do mandato foi confirmada ainda na primeira votação.

A sessão começou pela manhã, reuniu os 21 vereadores e foi marcada por momentos de tensão, interrupção no fornecimento de energia elétrica, manifestações na galeria e debates entre defesa, parlamentares e integrantes da Comissão Processante.

Com a decisão, o vice-prefeito José Bonifácio Mourão assume o comando da prefeitura. A posse foi convocada para esta sexta-feira (15), às 10h, na Câmara Municipal.

O que levou à cassação de Coronel Sandro
Coronel Sandro e esposa

O processo de cassação teve origem em uma denúncia protocolada em fevereiro pelo empresário Fabiano Márcio da Silva, do setor de transportes.

Segundo a denúncia analisada pelos vereadores, a prefeitura contratou o transporte escolar sem realizar uma licitação tradicional, utilizando um modelo de credenciamento considerado inadequado para esse tipo de serviço.

A acusação aponta ainda que a empresa começou a operar antes mesmo da assinatura oficial do contrato. Depois disso, a prefeitura autorizou um pagamento de mais de R$ 2,7 milhões por meio de um reconhecimento de dívida para regularizar o período em que o serviço teria sido prestado sem cobertura contratual.

Outro ponto questionado no processo foi o aumento no custo do transporte escolar. A denúncia cita suspeita de sobrepreço e um crescimento expressivo na quilometragem diária percorrida pelos ônibus, sem justificativa técnica apresentada durante a investigação.

Para a maioria dos vereadores, houve falhas no planejamento e na condução do contrato, além de irregularidades consideradas incompatíveis com o exercício do cargo de prefeito.

Durante a investigação, o prefeito Coronel Sandro negou irregularidades e afirmou que o processo teria motivação política.
Como foi a votação


Os vereadores votaram separadamente cada uma das três infrações apontadas no processo.

A primeira infração analisou a contratação inadequada do serviço de transporte escolar.

A segunda tratou da acusação de omissão e negligência em relação a bens de interesse do município, considerando suposto sobrepreço e falhas de planejamento no processo licitatório do transporte escolar.

Já a terceira infração avaliou a prática de atos incompatíveis com a dignidade e o decoro do cargo de prefeito.

Nas três votações, o resultado foi o mesmo: 18 votos favoráveis à cassação e 3 contrários.

Sessão teve lotação máxima e queda de energia

A galeria da Câmara Municipal de Governador Valadares registrou lotação máxima durante o julgamento. Segundo a Casa Legislativa, o espaço comporta 100 pessoas.

Parte do público precisou acompanhar a movimentação do lado de fora do plenário. Segundo a organização, 10 seguranças foram contratados para atuar durante a sessão.

Durante a tarde, a reunião foi interrompida após uma queda de energia atingir o prédio da Prefeitura de Governador Valadares e também a Câmara Municipal, que funciona anexa ao Executivo.

Mesmo sem energia elétrica, os trabalhos continuaram com o uso de microfone portátil, caixa de som e lanternas durante a leitura das alegações finais da defesa.

Posteriormente, um caminhão com gerador estacionou ao lado do prédio e o fornecimento foi restabelecido.

A suspeita inicial de possível sabotagem chegou a ser levantada durante a sessão. No entanto, após perícia, os delegados Marco Alberto e Fábio Sfalcin, da Polícia Civil, informaram que a interrupção ocorreu por causa de uma sobrecarga. Segundo eles, não foram encontrados indícios de intervenção externa na rede.

Defesa teve duas horas de sustentação oral

Após o encerramento da leitura das peças do processo, os vereadores tiveram espaço para manifestação. Apenas o vereador Jepherson Madureira (Republicanos), líder do governo na Câmara, utilizou o tempo previsto. Durante o pronunciamento, ele declarou que votaria contra a cassação por entender que não houve comprovação de infração político-administrativa por parte do prefeito.

Na sequência, a defesa do prefeito iniciou a sustentação oral.

O advogado Thiago Azevedo de Castro criticou o andamento do processo, apontou supostas falhas nas diligências da Comissão Processante e afirmou que a cassação não deveria ocorrer.

Durante a fala, o advogado também se dirigiu nominalmente aos vereadores.

Após cerca de 10 horas de sessão, Coronel Sandro compareceu presencialmente ao plenário da Câmara.

Durante o discurso, o prefeito afirmou que “perdoava” alguns vereadores, criticou um empresário supostamente envolvido no caso e disse que o processo não foi devidamente investigado.

Ele também declarou que respeitaria o resultado da votação.



Após o encerramento da sessão, o advogado Mauro Bomfim afirmou que a defesa entende que a decisão da Câmara teve caráter político e não técnico.

Segundo ele, os argumentos apresentados durante a sustentação oral demonstrariam ausência de sobrepreço e regularidade no processo de reconhecimento de dívida e no modelo de credenciamento utilizado pela prefeitura.

O advogado afirmou ainda que a defesa pretende recorrer à Justiça para tentar reverter a cassação.

Vice assume

A posse oficial do vice prefeito, Bonifácio Mourão, aconteceu nesta sexta feira, 15/05, as 10 horas no plenário da Câmara Municipal de Governador Valadares. A solenidade foi aberta ao público e teve transmissão ao vivo pelas redes oficiais do Legislativo. (Com informações do G1)