No Brasil, conseguem manter impostos altíssimos sem qualquer
sinal de revolta popular. Oligarquias e monopólios florescem no país, e não há
qualquer esforço do governo ou iniciativa popular para mudar isso.
Para quem é rico, o Brasil é o país ideal. É a vaca gorda de
onde eles tiram o dinheiro, que depois guardam em seus iates e mansões em Monte
Carlo, Paris e Miami.
Do ponto de vista do povo nada disso é bom. Mas o povo
brasileiro é tão bonzinho, tão defensor do protesto pacífico e inofensivo, tão
prestativo a defender seus políticos de estimação… que com certeza nada disso
vai mudar.
O ENSINO NO JAPÃO E NO BRASIL
No Japão, o único que não precisa se curvar ao Imperador é o
professor.
Lendo essa frase, já dá para se perceber o abismo que há
entre aquele país e o nosso. Para mim, se quisermos ter esperança de um futuro
melhor, tudo isso passa pela figura do professor.
Alguns pilares importantes sustentam nossa sociedade, mas
nenhum deles é tão importante quanto a educação. É somente através dela que se
formam médicos, juízes, engenheiros, farmacêuticos, e por aí vai. Para que
todas essas profissões se mantenham, necessita-se de professores. Agora
tratando do ensino básico, com crianças e jovens, o professor tem um papel
importante também na moldagem do caráter de seus alunos. Sua metodologia de
ensino, com cobranças, "puxões de orelha", ou aquele sermão em sala
de aula nunca serão em vão. Diariamente os alunos se encontram com seus
professores com um único objetivo: aprender. E não é apenas sobre a matéria do
livro, este "aprender" passa por todas as experiências que o
professor possuir e que podem acrescentar mais ao aprendizado dos alunos.
Parece trivial, né? Mas talvez nosso país não entenda de tal
forma. Quando vi esta pergunta aqui no Quora, não hesitei em vir aqui digitar
isto. Não é de hoje que sinto uma angústia ao ver a educação brasileira caindo
aos pedaços, ou ver professores simplesmente apanhando em sala de aula. A
figura do professor não é vista como no país que citei no primeiro parágrafo, e
talvez não haja ainda perspectivas positivas para isto. Com um ensino
turbulento, quem garante que o caráter dos alunos é moldado corretamente?Afinal
não é só na família que as crianças crescem, há a participação enorme da escola
e dos professores.
Na minha família existia uma professora da rede pública de
ensino, e ela ensinava crianças da 4ª série. Todos os dias voltava cansada, às
vezes estressada, e quando eu tinha a oportunidade de sentar à mesa com ela,
podia ouvir histórias de como era o dia a dia no trabalho. Ela se dedicava
muito àquela escola, fazia aquilo por amor, se preocupando com as situações das
crianças, e até mesmo promovendo doações para as famílias mais necessitadas. E
no final, um salário que mal segurava dois terços do mês.
Eu digo que ser professor hoje em dia é "loucura".
Loucura porque hoje em dia se bate em professor, hoje em dia se grita com
professor, e hoje em dia o professor precisa "se virar nos 30" com um
salário minúsculo. Existem inúmeras pessoas como a da minha família que eu
mencionei no parágrafo acima, sendo professores apenas pelo amor à profissão.
"Eduquem as crianças, para que não seja necessário
punir os adultos", disse uma vez Pitágoras. Mais uma frase que parece
trivial, mas que é ignorada. Ela resume o que eu disse sobre a moldagem do
caráter das pessoas através de uma boa educação. Talvez nem mesmo alguns
professores saibam, mas todos eles são peças-chaves para o desenvolvimento dos
alunos. Estes alunos estão subindo uma escada rumo ao sucesso no futuro, e cada
professor se torna um degrau. Sem um degrau, ninguém sobe a escada.
Para o Brasil ter jeito, devemos começar pela educação.
Quando levarmos a educação à sério, formaremos cidadãos sérios, bem
intencionados.
Na estrada que percorremos na nossa vida, quando olharmos
para trás e vermos tudo aquilo que passamos, os professores estarão lá, cada um
com sua participação na nossa caminhada.
Finalmente, deixo meus agradecimentos a todos os guerreiros do ensino brasileiro, e a todos que participaram da minha empreitada até hoje.