domingo, 19 de julho de 2026

ENARTCi chega à 18ª edição e transforma o Vale do Aço em palco para a dança brasileira

 Festival reúne artistas de Minas Gerais, Bahia, Ceará e Alemanha em Ipatinga, com espetáculos, oficinas, residência artística, palestra, fórum, mostra de vídeos, experiências participativas e ações comunitárias entre os dias 22 e 25 de julho

 Entre os dias 22 e 25 de julho, o Hibridus Pontão de Cultura realiza a 18ª edição do ENARTCi – Encontro de Dança Contemporânea de Ipatinga, um dos mais importantes festivais dedicados à dança no interior de Minas Gerais. Com o tema "O passado está na frente, e o futuro está na gente", a edição propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade, permanência e os futuros possíveis da dança, reunindo artistas de diferentes regiões do Brasil e da Alemanha em uma programação gratuita distribuída entre Ipatinga, Ipaneminha e Timóteo.

Criado pelo Hibridus há mais de duas décadas, o ENARTCi consolidou-se como um espaço de circulação artística, formação de público, produção de pensamento e intercâmbio entre artistas, pesquisadores e comunidades. Nesta edição, a programação reúne espetáculos, oficina, residência artística internacional, experiências participativas, palestra, fórum de políticas públicas, mostra de vídeos, almoço comunitário e ações que expandem a dança para além do palco.

Programação

A abertura acontece no dia 22 de julho, no Teatro Zélia Olguin, com Ornitorrinco, novo espetáculo do Hibridus, dirigido por Thereza Rocha. A obra transforma a trajetória do grupo em matéria cênica, entrelaçando dança, memória, militância, humor e documentação para refletir sobre permanência e reinvenção.

A programação segue com importantes nomes da cena contemporânea brasileira. Da Bahia, o Núcleo da Tribo, de Itacaré, apresenta VAMOS PRA COSTA?, espetáculo que investiga corpo, território e deslocamento. Também da Bahia, Jorge Alencar e Neto Machado, da Dimenti Produções Culturais, de Salvador, conduzem a Oficina Biblioteca de Dança, voltada a artistas, estudantes e profissionais da dança do Vale do Aço. A atividade será realizada no dia 22 de julho, às 15h, na Biblioteca Zumbi dos Palmares, com inscrições gratuitas pelo link disponível na bio do @hibriduspontodecultura. A dupla também apresenta Biblioteca de Dança, experiência em que artistas tornam-se "livros vivos", compartilhando memórias coreográficas diretamente com o público. Do Ceará, a Cia. Dita apresenta Mulata, solo histórico interpretado por Wilemara Barros, referência da dança brasileira, que revisita questões de raça, memória e permanência a partir da trajetória de uma mulher negra na dança.

Outro momento aguardado do festival será a presença do coreógrafo Chaim Gebber, artista que desenvolve sua pesquisa entre Brasil e Alemanha. Durante o ENARTCi, Chaim realiza uma residência artística com o Clube Dançante Nossa Senhora do Rosário (Congado do Ipaneminha), culminando na apresentação de I AM A CELEBRATION, criação que terá diálogo com uma das mais importantes tradições culturais do Vale do Aço. Este encontro reafirma a proposta curatorial do festival aproximando diferentes temporalidades, saberes e modos de existência.

Logo após essa apresentação, o festival promove um almoço coletivo comunitário no Ipaneminha, realizado em parceria com o Departamento de Cultura de Ipatinga integrando também a programação do Seminário Municipal de Cultura. Esta ação reafirma uma marca histórica do ENARTCi: compreender que a cultura também se constrói ao redor da mesa, compartilhando alimentos, histórias, afetos e modos de vida entre artistas e comunidade.

A programação inclui ainda a palestra "Temporalidades do Corpo: memória, contemporaneidade e futuro na dança", ministrada pela pesquisadora e dramaturga Thereza Rocha, além do Fórum Mineiro de Dança – O futuro da dança no interior: memória, redes e permanência, com a pesquisadora e conselheira de cultura, Jussara Braga, reunindo artistas e agentes culturais para discutir políticas públicas, circulação, memória e os desafios da produção artística fora dos grandes centros urbanos.

Encerrando a programação, o ENARTCi integra-se ao tradicional Arraiá d'Ajuda, no Bosque da Fundação Aperam Acesita, em Timóteo, reforçando a compreensão de que a dança também acontece nas festas populares, nos encontros comunitários e nas práticas culturais que atravessam gerações.


Data

Hora

Local

Atividade

22/jul

15h

Biblioteca Municipal Zumbi dos Palmares

Oficina Biblioteca de Dança – Jorge Alencar e

  Neto Machado (Dimenti)

22/jul

19h30

Teatro Zélia Olguin

Ornitorrinco – Hibridus Dança

23/jul

15h

Biblioteca Municipal Zumbi dos Palmares

Biblioteca de Dança – Coletivo Dimenti

23/jul

19h30

Teatro Zélia Olguin

Vamos Pra Costa? – Núcleo da Tribo

23/jul

20h30

Teatro Zélia Olguin

Palestra: Temporalidades do Corpo – Thereza

  Rocha

24/jul

19h30

Espaço Hibridus Pontão de Cultura

Mulata – Cia. Dita

24/jul

20h30

Espaço Hibridus Pontão de Cultura

Fórum Mineiro de Dança – Jussara Braga

25/jul

11h

Ipaneminha

I AM A CELEBRATION – Chaim Gebber e Clube

  Dançante Nossa Senhora do Rosário (Congado do Ipaneminha)

25/jul

18h30

Bosque da Fundação Aperam Acesita (Timóteo)

Arraiá d'Ajuda

 

 Segundo os curadores Luciano Botelho e Wenderson Godoi, a 18ª edição reafirma a vocação do festival como espaço de pensamento e produção artística:

"Em um tempo que valoriza apenas o novo, o ENARTCi afirma que o futuro não nasce do apagamento da memória. Ao contrário, ele se constrói a partir das experiências, das ancestralidades e dos encontros que continuam produzindo movimento nos corpos e nos territórios."

O 18º ENARTCi é uma realização do Hibridus Pontão de Cultura, em parceria com Jany Francisca, e conta com patrocínio da Usiminas e Aperam, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Governo de Minas Gerais, reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à cultura e o fortalecimento da dança contemporânea produzida no interior do país.

 Ficha Técnica

Curadoria e Direção Artística: Luciano Botelho e Wenderson Godoi