| Policia encontrou pacotes de dinheiro na casa do ex vereador Milton Leite |
De acordo com as autoridades, uma casa pertencem a um assessor
do ex-parlamentar e a outra residência seria do próprio Milton. Diante do que
os investigadores encontraram, eles suspeitam que o político possa ter estado
em alguma das residências.
A Justiça decretou na quinta-feira (17) a prisão dele a
pedido da investigação. Milton é suspeito de envolvimento num esquema criminoso
que envolve a infiltração a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) em
empresas de transporte coletivo e em estruturas do poder público em São Paulo.
O ex-parlamentar, que é filiado ao União Brasil, ainda não
se apresentou nesta sexta às autoridades após o prazo de 24 horas que ele
próprio havia anunciado à imprensa, no dia anterior, para se entregar. Ele
negou as acusações e disse que irá provar a sua inocência.
Até a última atualização desta reportagem, Milton continuava
sendo considerado foragido da Justiça.
'Passagem secreta'
A polícia e o MP receberam informações de que Milton pudesse estar escondido na casa de um assessor em Sorocaba. Mas os policiais e promotores não o encontraram lá. No local havia dinheiro e documentos. A pessoa, que estava no imóvel, não soube explicar a origem deles.
Foram encontrados e apreendidos R$ 280 mil e US$ 89 mil
(cerca de R$ 457 mil) dentro de malas. A polícia não sabe a origem dos valores
e investiga se eles são de Milton.
Segundo as autoridades, no imóvel do assessor do político há
uma passagem que liga a outra residência que pertenceria a Milton. O segundo
imóvel estaria vazio.
PCC no transporte
No total, a Justiça decretou as prisões de 16 investigados, sendo que dez deles tinham sido presos e outros seis estavam foragidos até a última atualização desta reportagem.
Na quinta, após não ser localizado pela Polícia Civil em sua
residência durante o cumprimento do mandado, Milton divulgou uma nota, por meio
de sua assessoria de imprensa, na qual negou estar foragido:
"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me
apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas
as acusações."
Operação Vectura Corrupta
Além dos mandados de prisão temporária, foram expedidos 18
mandados de busca e apreensão, para serem cumpridos na capital e em cidades da
Grande São Paulo _como Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema_ e
do litoral _Santos, Praia Grande e Cubatão.
A investigação aponta suspeitas de lavagem de dinheiro,
corrupção e uso de empresas de ônibus para movimentar recursos ligados à
organização criminosa. Segundo o Ministério Público, ao menos 12 das 22
empresas de transporte coletivo da capital seriam controladas direta ou
indiretamente pela facção criminosa PCC. Essa é uma alegação da investigação,
ainda sujeita à apuração judicial.
Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente
da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia
Grande e atual candidato a deputado estadual. A equipe de reportagem não
localizou suas defesas.
Justiça aponta Milton Leite como operador de empresas
controladas pelo PCC em São Paulo
Segundo a decisão judicial que autorizou a operação, Milton
Leite é apontado pelos investigadores como alguém que teria participação na
operação de empresas de transporte investigadas.
O nome do ex-vereador aparece em diálogos e outros elementos
reunidos pela investigação. A decisão também menciona depoimentos de policiais
militares que o apontaram como "dono de fato" da Transwolff, empresa
que já havia sido investigada na Operação Fim da Linha, em 2024. A Transwolff
nega que Milton Leite tenha participação societária ou atuação na gestão da empresa.
A investigação atual é um desdobramento da Operação Decúrio,
realizada em 2024. A partir de materiais apreendidos anteriormente,
investigadores passaram a apurar uma estrutura que envolveria empresas de
transporte, integrantes do PCC, agentes públicos e políticos.
Milton sempre negou as acusações e afirma que não tem relação com o PCC. Ele também nega ser proprietário da Transwolff.
