Exoneração acontece após denúncias de compra suspeita de livros do programa Aprender Já e venda de 95 escolas públicas para o banco BTG Pactual
A coordenadora geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), Denise de Paula Romano, (foto) comentou nesta terça-feira (28) a queda do secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, que estava há nove meses no cargo. A demissão foi anunciada na noite de segunda-feira e para o lugar de Rossieli o governo anunciou Gustavo Braga, que exercia o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Governo.
“A demissão de Rossieli Soares da Secretaria de Estado de Educação acontece na esteira de uma série de denúncias sobre seu envolvimento, no mínimo, suspeito com a compra de livros didáticos do programa Aprender Já, mas é preciso deixar claro que ele foi contratado pelo governo Zema para fazer com mais eficiência o serviço sujo na educação, só que ultrapassou os limites e acabou comprometendo as campanhas de Zema e Mateus Simões. Então, para não contaminar as campanhas, foi defenestrado do governo”, avalia Denise Romano.
Para ela, entretanto, a demissão do ex-secretário não encerra o problema e não é um salvo conduto para o ex e o atual governador. “As denúncias precisam ser apuradas, pois envolvem recursos públicos gastos sem transparência e de forma suspeita. A queda de Rossieli serve para revelar o desprezo e os descaminhos do governo Zema e Mateus Simões em relação à educação pública”, sublinha Denise.
O ex-secretário Rossieli Soares foi alvo de denúncia pelo próprio Sind-UTE/MG, pela presidente da Comissão de Educação da ALMG, deputada Beatriz Cerqueira e, mais recentemente, pelo site The Intercept, pelo seu envolvimento num suposto esquema de compra de livros didáticos para o programa Aprender Já. A compra, no valor de R$ 348,4 milhões, foi feita sem licitação, de uma empresa com a qual Rossieli já havia negociado quando era secretário de Educação no Pará.
“Durante todo o governo Zema e agora no governo Simões a educação pública vem sofrendo ataques sistemáticos, mas foi na gestão de Rossieli que a mercantilização atingiu seu nível máximo com a venda de 95 escolas para o banco BTG Pactual. Este é apenas o início de um processo preconizado por Romeu Zema e Mateus Simões, que vai acarretar a demissão e precarização do trabalho de milhares de auxiliares básicos de serviços e minar a gestão democrática das escolas. Então, a queda de Rossieli é um fato para ser comemorado pelos trabalhadores em educação, embora saibamos que trata-se de uma política de governo que terá continuidade, mas também haverá resistência”, arremata Denise Romano. Fonte:Sind-UTE/MG,
Movimento organizado pela CNTE e sindicatos filiados promovem Marcha em Brasília em defesa da escola pública e contra o feminicídio
Marcha da 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, realizada em Brasília
O Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) participa da 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, de 13 a 17 de abril, em Brasília. O movimento reúne na Capital Federal caravanas de educadores de todo o País e uma delegação de Minas Gerais coordenada pelo Sind-UTE/MG que integrou a Marcha da Classe Trabalhadora, nesta quarta-feira (15). Além de defesa e promoção da escola pública, a 27ª Semana tem como foco principal a luta contra o feminicídio.
O CASO MINEIRO
Para o Sind-UTE/MG, a 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública tem um significado importante nesta edição pelo fato de Minas Gerais ter sido um dos estados onde a educação pública sofreu duros ataques do governo estadual, culminando com o leilão de 95 escolas estaduais no dia 30 de março. Além disso, a categoria vem sendo sistematicamente prejudicada com um dos piores salários do País, não pagamento do Piso Salarial Nacional e sucessivas tentativas de terceirização, precarização e desqualificação do trabalho. Neste sentido, a 27ª Semana é um espaço qualificado de luta e denúncia.
ESCOLA PÚBLICA
A 27ª Semana em Defesa da Educação Pública vai promover uma série de atividades, como debates, mesas redonda e reflexão nas escolas sobre temas relacionados à importância da educação pública, gratuita e de qualidade.
“A 27ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública, promovida pela CNTE e seus 64 sindicatos filiados, reafirma a luta contra a militarização escolar, que contrapõe os princípios da gestão democrática, da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber, além do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas insculpidos no artigo 206 da Constituição Federal. Além de combater a privatização das escolas e a terceirização de seus profissionais, também lutamos pela regulamentação da IA nos sistemas e redes de ensino, pelo fim da plataformização nas escolas, em prol do trabalho decente e da aposentadoria digna para toda a população e os/as educadores/as em especial”, enfatiza a Confederação.
DESIGUALDADES E VIOLÊNCIAS
“Outro aspecto fundamental – ressalta a CNTE – é o enfrentamento das desigualdades e das violências presentes na sociedade, sobretudo contra mulheres, meninas, negros, indígenas e pessoas LGBTQIA+. A escola é espaço de construção da cidadania, de formação crítica e de proteção à vida. Cabe a
ela promover a igualdade de gênero, o respeito à diversidade, a cultura de paz e contra qualquer forma de preconceito”.
