sábado, 7 de março de 2026

Guerra no Oriente Médio ameaça economia mundial. Brasil pode ser afetado


A ameaça de uma crise econômica mundial em consequência da guerra envolvendo o Irã preocupa mercados e analistas. O risco de desestabilização da economia global é elevado, sobretudo se o conflito se prolongar. O jornal francês Les Echos desta sexta-feira (6) afirma, em manchete de capa, que começa a surgir um cenário típico de estagflação, que significa crescimento fraco combinado com inflação mais alta.

O principal impacto da guerra no Oriente Médio é o aumento do preço do petróleo e do gás devido ao bloqueio, pelos iranianos, do Estreito de Ormuz. Uma alta prolongada dos preços afetaria especialmente a Europa e os Estados Unidos.

Economistas ouvidos pelo Les Echos avaliam que, se o conflito durar poucas semanas, os efeitos serão moderados, mas um prolongamento poderia empurrar o mundo para a recessão, especialmente se o petróleo se aproximar de US$ 100 por barril. Atualmente, pressionado pelo conflito, o barril já está sendo cotado em torno de US$ 84.

Por enquanto, os bancos centrais não devem alterar significativamente suas políticas monetárias, mas um choque energético maior poderia levar a novos aumentos de juros. No front fiscal, a situação é mais delicada. A inflação mais alta tende a pressionar os juros de longo prazo, o que piora as contas públicas, sobretudo nos Estados Unidos, onde o déficit já é elevado.

Segundo analistas citados pelo jornal, isso poderia enfraquecer o dólar, elevar ainda mais os juros e provocar turbulências nos mercados globais.

Brasil pode ser afetado

Petróleo e gás não são os únicos produtos impactados. Pelo Estreito de Ormuz passa cerca de 11% do comércio marítimo mundial. O bloqueio também paralisa o fluxo global de mercadorias como cosméticos, alimentos, produtos farmacêuticos, automóveis e até pedras ornamentais.

O setor de fertilizantes é um dos mais vulneráveis, já que aproximadamente um terço destes produtos no mundo, incluindo enxofre, ureia e amônia, passa por Ormuz. O Brasil, que importa fertilizantes de Omã e Catar, pode ser afetado.

O Le Figaro informa que a forte alta dos preços do petróleo provocou queda nas bolsas europeias e americanas, o que levou Donald Trump a prometer medidas rápidas para evitar que os consumidores americanos paguem mais caro pela gasolina. O republicano classificou o aumento atual como um pequeno desvio.   (Fonte: RFI)